Acordo de Facilitação de Comércio Bilateral: Simplificando rotas para produtos brasileiros no Vietnã
10/04/2026

Vietnã atrai investimentos em manufatura avançada e semicondutores

10/04/2026

O Vietnã consolida sua posição como o novo epicentro da manufatura global de alta tecnologia ao registrar um influxo recorde de Investimento Estrangeiro Direto (IED) voltado aos setores de semicondutores e eletrônicos avançados no primeiro semestre de 2024. O país asiático, sob a orientação da Estratégia Nacional de Semicondutores até 2030, implementada pelo governo em Hanói, atraiu compromissos bilionários de gigantes globais como NVIDIA, Samsung e Foxconn, reafirmando sua transição de uma economia baseada em mão de obra intensiva para uma potência de valor agregado. Este movimento estratégico ocorre em um momento de reconfiguração das cadeias de suprimentos globais, onde o Vietnã se destaca como o principal beneficiário da política “China + 1” no sudeste asiático.

De acordo com dados oficiais do Ministério do Planejamento e Investimento (MPI) do Vietnã, o capital estrangeiro realizado no país alcançou US$ 10,84 bilhões nos primeiros seis meses de 2024, o maior volume para o período nos últimos cinco anos. O setor de manufatura e processamento liderou os aportes, representando aproximadamente 70% do total investido. Entre os projetos de destaque, a Amkor Technology inaugurou em Bắc Ninh uma das maiores fábricas de testes e embalagens de semicondutores do mundo, um investimento de US$ 1,6 bilhão que coloca o Vietnã no mapa crítico da infraestrutura digital global.

A ascensão vietnamita no segmento de semicondutores não é circunstancial, mas fruto de uma coordenação estatal agressiva para suprir a escassez de talentos e infraestrutura. O governo vietnamita estabeleceu a meta de treinar 50.000 engenheiros especializados em chips até 2030, visando integrar o país não apenas na montagem, mas no design e na criação de ecossistemas de semicondutores. Durante visitas oficiais recentes, o CEO da NVIDIA, Jensen Huang, descreveu o Vietnã como uma “segunda casa” potencial para a empresa, sinalizando planos para estabelecer uma base permanente que impulsione a inteligência artificial (IA) e a infraestrutura digital local.

Comparativamente, o Vietnã segue uma trajetória de industrialização que ecoa o milagre econômico da Coreia do Sul, mas com a agilidade necessária para a era da Indústria 4.0. Enquanto outros membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) competem por investimentos em commodities, o Vietnã foca na diversificação de sua base exportadora. Atualmente, os eletrônicos já respondem por mais de 30% das exportações totais do país, superando setores tradicionais como têxteis e calçados, o que confere à economia uma resiliência inédita diante de flutuações de mercado.

Para o empresariado brasileiro, o avanço tecnológico do Vietnã representa uma mudança fundamental na dinâmica comercial bilateral. O Vietnã é hoje o maior parceiro comercial do Brasil no sudeste asiático, e a sofisticação de sua indústria abre portas para a integração de cadeias produtivas. Enquanto o Brasil exporta commodities essenciais como soja, milho e algodão — insumos que sustentam a segurança alimentar e a base industrial vietnamita —, há uma oportunidade crescente para a importação de componentes eletrônicos de alta precisão que podem baratear e modernizar a produção industrial brasileira.

A análise da Câmara de Comércio e Indústria Brasil Vietnã aponta que esta tendência de “mar aberto” para semicondutores deve acelerar a assinatura de novos acordos de cooperação técnica. Segundo Victor Key, Presidente da BVC, o fortalecimento dos laços econômicos depende da compreensão de que o Vietnã não é mais apenas um fornecedor de baixo custo, mas um parceiro de inovação. “A convergência entre a abundância de recursos naturais do Brasil e a crescente capacidade tecnológica do Vietnã cria um eixo de desenvolvimento Sul-Sul com potencial de transformar ambos os mercados”, avalia Key a partir da sede da instituição em São Paulo.

O impacto prático para o investidor brasileiro reside na estabilidade macroeconômica e na rede de acordos de livre comércio (FTAs) que o Vietnã possui, incluindo parcerias com a União Europeia e o CPTPP (Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica). Ao utilizar o Vietnã como plataforma logística e industrial, empresas brasileiras podem acessar mercados asiáticos com tarifas reduzidas, beneficiando-se da infraestrutura de portos de águas profundas e zonas econômicas especiais que o governo vietnamita tem expandido com celeridade em províncias como Đà Nẵng e Hải Phòng.

Olhando para o futuro, a consolidação do Vietnã como um hub de manufatura avançada deve elevar o fluxo de comércio bilateral, que já ultrapassa a marca de US$ 6,7 bilhões anuais. O desafio para os próximos anos será a implementação de protocolos de cooperação em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Com o Vietnã subindo na cadeia de valor, o Brasil encontra em Hanói um aliado estratégico para a diversificação de suas fontes de tecnologia e para a segurança de sua própria cadeia de suprimentos eletrônicos, reduzindo a dependência de polos tradicionais.

A BVC reafirma seu papel como facilitadora deste diálogo, promovendo missões comerciais e conectando setores de alta tecnologia de ambos os países. A evolução do Vietnã, de uma nação agrícola para um pilar dos semicondutores mundiais, serve não apenas como um exemplo de política industrial bem-sucedida, mas como um convite para que o Brasil reposicione suas prioridades comerciais na Ásia. O momento é de transição, e a integração com o ecossistema tecnológico vietnamita desponta como uma das rotas mais promissoras para a competitividade brasileira no cenário internacional.

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