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O governo do Vietnã consolidou, neste primeiro semestre de 2026, as diretrizes operacionais de seu Plano Diretor de Mineração, que visa transformar o país no segundo maior fornecedor global de elementos de terras raras (REE, na sigla em inglês) até o final da década. A estratégia, detalhada pelo Ministério de Recursos Naturais e Meio Ambiente (MONRE), projeta uma extração anual de até 2 milhões de toneladas de minério bruto, focando na verticalização da produção para atender à crescente demanda por semicondutores e tecnologias verdes. Este movimento redefine a geopolítica dos minerais críticos, posicionando o Sudeste Asiático como uma alternativa robusta às cadeias de suprimentos tradicionais e abrindo precedentes para parcerias tecnológicas com o Brasil.

Dados atualizados do Departamento de Geologia do Vietnã indicam que as reservas do país totalizam cerca de 22 milhões de toneladas, concentradas majoritariamente nas províncias do noroeste, como Lai Châu e Lào Cai. O decreto governamental nº 866/QD-TTg, que orienta a exploração mineral até 2030, estabelece metas rigorosas de processamento profundo, exigindo que as empresas mineradoras alcancem níveis de pureza superiores a 99% em óxidos de terras raras (REO). O objetivo central é cessar a exportação de minério bruto e evoluir para a produção de ligas metálicas e ímãs permanentes, componentes essenciais para a indústria automotiva elétrica e turbinas eólicas.

A ascensão vietnamita no setor de mineração reflete uma tendência de diversificação global impulsionada pela estratégia “China Plus One”. Ao investir em infraestrutura de beneficiamento, o Vietnã não busca apenas a extração, mas a liderança em uma etapa da cadeia de valor que exige alta densidade tecnológica. Estimativas da Vietnam Investment Review apontam que o setor de terras raras poderá contribuir com até 5% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do país até 2030, caso as metas de investimento estrangeiro direto em parques de processamento hidrometalúrgico sejam atingidas conforme o cronograma atual.

Historicamente, o desenvolvimento do setor mineral vietnamita guarda paralelos com a transformação da Coreia do Sul na década de 1990, onde a transição da exportação de commodities para a manufatura de alta precisão foi o motor do crescimento econômico. No contexto da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), o Vietnã se destaca por possuir a base geológica mais promissora para o grupo dos 17 elementos químicos que compõem as terras raras, superando vizinhos como Tailândia e Malásia em termos de volume e viabilidade comercial.

Para o empresário brasileiro, o avanço do Vietnã neste setor representa um impacto prático em dois eixos principais: segurança de suprimentos e cooperação técnica. O Brasil, que também possui reservas significativas de minerais críticos, encontra no modelo vietnamita um espelho de desenvolvimento de políticas públicas para o setor. A modernização das plantas de processamento em território vietnamita exige tecnologias de mitigação ambiental que são especialidades de empresas de engenharia brasileiras, criando um mercado de exportação de serviços de sustentabilidade e gestão de resíduos de mineração.

Victor Key, Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil Vietnã (BVC), observa que o fortalecimento deste setor no país asiático é um catalisador para o comércio bilateral. Segundo Key, a integração das cadeias de valor entre os dois países pode acelerar a transição energética na América Latina, uma vez que o acesso facilitado a componentes fabricados no Vietnã reduzirá os custos de produção de tecnologias limpas no Brasil. A BVC atua como a ponte institucional para viabilizar esses diálogos, conectando mineradoras brasileiras a projetos de exploração conjunta no norte do Vietnã.

A conformidade com os padrões ESG (Ambiental, Social e Governança) é outro pilar inegociável da nova estratégia vietnamita. O governo impôs que novos projetos de mineração utilizem métodos de extração por lixiviação in situ que minimizem o impacto superficial e garantam a recuperação das áreas degradadas. Esta exigência alinha o Vietnã aos mercados consumidores mais exigentes, como a União Europeia, e eleva a competitividade dos produtos vietnamitas frente a mercados com regulações ambientais mais permissivas, garantindo longevidade aos investimentos realizados.

As perspectivas futuras indicam que o Vietnã deixará de ser apenas um detentor de reservas para se tornar um hub de inovação mineral. O país já iniciou a construção de centros de pesquisa em tecnologia de terras raras em Hanói, buscando autonomia na separação de elementos leves e pesados. Para o ecossistema de negócios do Brasil, acompanhar de perto esta evolução é estratégico, visto que a estabilidade de preços e a disponibilidade desses insumos ditarão o ritmo da reindustrialização brasileira nos próximos anos.

Em suma, a estratégia vietnamita para as terras raras em 2026 consolida o país como um ator indispensável na economia de baixo carbono. A conexão entre a Câmara de Comércio e Indústria Brasil Vietnã e os centros produtores asiáticos fortalece a posição do Brasil como parceiro prioritário, garantindo que o empresariado nacional esteja na vanguarda desta transição tecnológica global. O sucesso desta cooperação bilateral dependerá da capacidade de ambas as nações em alinhar interesses comerciais com os rigorosos padrões de sustentabilidade exigidos pelo novo mercado global de minerais.

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