Missão empresarial aproxima Santa Rita do Sapucaí de um dos mais dinâmicos ecossistemas tecnológicos da Ásia e abre novas oportunidades de cooperação entre Brasil e Vietnã
A Câmara de Comércio Brasil-Vietnã (BVC) organizou uma missão empresarial ao Vietnã para aproximar empresas e instituições do Vale da Eletrônica, de Santa Rita do Sapucaí (MG), de um dos ecossistemas tecnológicos que mais avançam na Ásia.
Realizada entre os dias 3 e 12 de agosto, a missão reúne representantes do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (SINDVEL), empresários da região e representantes do Sebrae Minas, com uma agenda voltada principalmente aos setores de semicondutores, microeletrônica, inteligência artificial, manufatura avançada, inovação e formação profissional.
A iniciativa foi estruturada pela Câmara de Comércio Brasil-Vietnã em parceria com o SINDVEL e o Sebrae Minas, com o objetivo de criar conexões concretas entre os dois ecossistemas e identificar oportunidades de negócios, investimentos, cooperação tecnológica e desenvolvimento conjunto.
A missão ocorre em um momento estratégico para a indústria brasileira de tecnologia. A necessidade de diversificação das cadeias globais de suprimentos, a crescente importância dos semicondutores e a busca por maior autonomia tecnológica tornam a aproximação com o Vietnã particularmente relevante para empresas brasileiras.
Do Vale da Eletrônica ao ecossistema tecnológico vietnamita
Santa Rita do Sapucaí é reconhecida nacionalmente como um dos principais polos brasileiros de desenvolvimento tecnológico e eletroeletrônico. O município construiu, ao longo de décadas, um ecossistema formado por empresas, instituições de ensino, centros de pesquisa, profissionais especializados e organizações de apoio à inovação.
A missão busca conectar esse conhecimento e essa capacidade empresarial com a experiência vietnamita em áreas estratégicas da indústria de alta tecnologia.
Segundo informações divulgadas durante a missão, entre os principais objetivos estão a identificação de oportunidades de cooperação em chips, memórias, semicondutores e tecnologias dedicadas, além da possibilidade de transferência de tecnologia, qualificação profissional e desenvolvimento de novos projetos.
A estratégia também está relacionada à necessidade de diversificação de parceiros internacionais. Para o setor brasileiro, ampliar as alternativas de fornecimento, produção e cooperação tecnológica representa uma forma de reduzir vulnerabilidades e aumentar a competitividade da indústria.
A missão teve como um de seus objetivos fortalecer a autonomia tecnológica do Vale da Eletrônica e agregar maior valor à produção brasileira de eletrônicos.
Primeiras agendas em Hanói
A programação teve início em Hanói, onde a delegação participou de reuniões com importantes instituições do ecossistema tecnológico e de investimentos do Vietnã.
Entre os primeiros compromissos estiveram reuniões com a Vietnam Electronics Industries Association (VEIA), a Embaixada do Brasil em Hanói e a Foreign Investment Agency (FIA).

Na VEIA, a delegação brasileira apresentou o potencial industrial e tecnológico de Santa Rita do Sapucaí e discutiu possibilidades de aproximação com empresas vietnamitas.
O encontro contou com a participação do presidente da VEIA, Nguyễn Văn Đông, e do vice-presidente da Câmara de Comércio Brasil-Vietnã, Natã Oliveira. Entre os temas discutidos esteve a criação de mecanismos permanentes de cooperação para estimular investimentos, transferência de tecnologia, missões empresariais e aproximação entre empresas, universidades e centros de inovação.
A agenda foi destacada pela imprensa brasileira como um dos principais momentos da missão.
Conexão entre empresas, governo e universidades
Outro eixo importante da missão foi conhecer o modelo vietnamita de integração entre governo, empresas, universidades e centros de inovação.
A delegação visitou o National Innovation Center (NIC), o Hoa Lac High-Tech Park, a Vietnam National University (VNU) e a Hanoi University of Science and Technology (HUST).

As visitas permitiram conhecer iniciativas vietnamitas relacionadas à pesquisa aplicada, inovação, desenvolvimento de tecnologias, formação de profissionais e atração de investimentos.
Mais do que uma missão comercial tradicional, a proposta é construir uma ponte entre dois ecossistemas de inovação.
Para a Câmara de Comércio Brasil-Vietnã, essa conexão é fundamental. O objetivo não é apenas aproximar compradores e vendedores, mas criar relacionamentos de longo prazo que possam resultar em joint ventures, transferência de tecnologia, investimentos, projetos de pesquisa, capacitação profissional e internacionalização de empresas brasileiras.
Vietnã como parceiro estratégico para o Brasil
A escolha do Vietnã para a missão também reflete uma transformação na posição do país asiático dentro das cadeias globais de tecnologia.
O Vietnã vem atraindo investimentos internacionais e ampliando sua participação em setores de maior intensidade tecnológica, incluindo eletrônicos, semicondutores, inteligência artificial e manufatura avançada.
Para empresas brasileiras, esse movimento representa uma oportunidade de estabelecer relações diretamente com empresas, instituições de pesquisa e organizações vietnamitas que participam desse processo.
A missão do Vale da Eletrônica procura justamente identificar essas oportunidades e transformá-las em relações comerciais e tecnológicas concretas.
Uma agenda que vai além da missão
Um dos principais resultados esperados da iniciativa é a criação de uma agenda permanente de cooperação entre o Vale da Eletrônica e o Vietnã.
Entre as possibilidades discutidas estão a participação de empresas brasileiras em feiras e eventos tecnológicos no Vietnã, novas missões empresariais, intercâmbio de profissionais, cooperação acadêmica e tecnológica e aproximação com potenciais investidores e parceiros industriais.
Essa perspectiva de continuidade é especialmente importante para a Câmara de Comércio Brasil-Vietnã.
A missão não representa apenas uma viagem empresarial, mas parte de uma estratégia de construção de relacionamento institucional e empresarial de longo prazo entre Brasil e Vietnã.
BVC: conectando oportunidades entre Brasil e Vietnã
A organização da missão reforça o papel da Câmara de Comércio Brasil-Vietnã como plataforma de conexão entre empresas, instituições e governos dos dois países.
Por meio de sua atuação, a Câmara busca identificar oportunidades, estruturar agendas, conectar parceiros e facilitar a entrada de empresas brasileiras no mercado vietnamita, assim como aproximar empresas vietnamitas do Brasil.
No caso do Vale da Eletrônica, essa atuação ganha uma dimensão estratégica: conectar um dos mais importantes polos tecnológicos brasileiros a um país que vem ampliando rapidamente sua relevância nas cadeias globais de tecnologia.
A missão demonstra que a relação Brasil-Vietnã pode avançar para além do comércio tradicional de commodities e produtos manufaturados, incorporando cada vez mais tecnologia, inovação, investimentos, conhecimento e desenvolvimento industrial.
Um novo capítulo na cooperação tecnológica Brasil-Vietnã
A aproximação entre o Vale da Eletrônica e o ecossistema tecnológico vietnamita abre uma perspectiva promissora para os dois países.
De um lado, Santa Rita do Sapucaí reúne empresas, conhecimento técnico, instituições de ensino e uma trajetória consolidada de inovação. Do outro, o Vietnã apresenta um ambiente em rápida expansão, com crescente inserção nas cadeias globais de tecnologia e forte capacidade de atração de investimentos.
A conexão desses dois ecossistemas pode gerar oportunidades que vão muito além de uma operação comercial pontual.
Para a Câmara de Comércio Brasil-Vietnã, esse é justamente o propósito de suas missões empresariais: transformar aproximação em relacionamento, relacionamento em negócios e negócios em parcerias estratégicas de longo prazo.
A missão do Vale da Eletrônica representa, assim, mais um passo na construção de uma agenda bilateral baseada em inovação, tecnologia e desenvolvimento, fortalecendo os vínculos entre Brasil e Vietnã e criando novas possibilidades para empresas brasileiras no mercado asiático.
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